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MINHA BIOGRAFIA

Eu, Suelma Pinheiro Alves, nasci em 20 de junho de 1988, na cidade de Inocência, interior do estado de Mato Grosso do Sul, filha de agropecuarista, descendente dos fundadores da pequena cidade sul-mato-grossense, cuja cidade fora fundada no intuito de trazer comodidade a família, facilitando assim a vida escolar das crianças, o acesso as consultas médicas, entre outros benefícios.
Residimos na fazenda próximo a Inocência até minha irmã alcançar a idade de ingressar no pré escolar, quando nos mudamos para a casa que meus pais compraram na cidade de Inocência.
Sempre fui muito apegada a minha irmã e, quando esta iniciou seus estudos, não suportei a idéia de ficar longe dela e como gostava de fazer as mesmas coisas que ela, fiquei chorando e insistindo para estudar também.
Com apenas três anos de idade, não podendo cursar o pré como minha irmã, fui matriculada no jardim de infância.
Com o início da vida escolar passei a ser criada em Inocência, mesma cidade em que nasci até a separação de meus pais, quando me mudei com minha mãe e uma de minhas irmãs para a cidade de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, onde reside meu avô materno e alguns parentes.
Tempos após nos mudarmos para Inocência, meus pais e um grupo de amigos, no intuito de ajudar pessoas viciadas em álcool, fundaram  naquela pequena cidade o Centro de Recuperação de Alcoólatras (CEREA). Assim, meus pais, nossos vizinhos e amigos pararam de beber o que chamavam de"socialmente" e passaram a se dedicar a cada dia mais em favor de ampliar a instituição, alcançar a recuperação de outras vidas e a restituição de lares que haviam sido destruído em razão do álcool.
Na ocasião, minha mãe que já fazia parte do coral da igreja católica, sempre tocando seu violão e cantando músicas de sua autoria, veio a formar um lindo coral no CEREA, o qual ficou na época conhecido como "O coral da Maria"; se desempenhando ao máximo com outros integrantes da instituição para construir a sede própria da instituição, já que as reuniões aconteciam na varanda da casa de um casal de membros do CEREA.
O coral da Instituição recebia muitos convites para se apresentar em diversas cidades, inclusive em outros Estados,  meio pela qual levava mensagens cantadas, além das palestras do centro de recuperação de alcoólatra.  Contudo, certa feita, após realizada a construção da sede do CEREA, a instituição encontrava - se em festa e por faltar açúcar no local, um dos membros, proprietário de mercado, foi até o seu comércio, localizado junto a sua residência, buscar o produto e, ao chegar flagrou sua esposa com um amante.
Na oportunidade, houve "quebra-pau" e a situação virou um "furdunço", mas ninguém imaginava o que aconteceria no dia seguinte.
Era manhã de domingo, e como de costume, meu pai colocou o leite para ferver em fogo baixo e se deslocou até a padaria que ficava perto de casa a fim de comprar uma deliciosa rosca das que sempre   comíamos aos domingos.
 Contudo, no caminho foi abordado pela esposa do sujeito que fora traído na noite anterior... Nunca soubemos com exatidão, mas para tentar se limpar fez um "rolo danado" querendo atribuir a culpa de sua safadeza a minha mãe, que nada tinha haver com a situação.
Na volta para casa, meu pai foi novamente abordado, mas desta vez pelo marido traído, que o esperava no portão de casa. Acordamos com a conversa dos dois e tudo o que deu para entender foi o homem dizendo que não era para meu pai acreditar na mulher dele, que estavam se separando, que flagrou a mulher em casa com um amante, que ele nunca teve nada com minha mãe e pedia para ele não fazer nada com minha mãe que nada tinha haver com o caso.
Ao entrar, a casa caiu. Meus pais começaram a brigar e minha irmã e eu não entendíamos nada. Meu pai também nunca contou o que de fato aquela mulher lhe disse. Simplesmente acreditou nas palavras de uma destruidora de lares, menosprezando sua família.
Após o tumulto, meu pai decidiu nos levar para Minas Gerais, onde residimos por um período de seis meses. Como a convivência familiar se encontrava no limite, minha mãe resolveu voltar para casa em Inocência. Após o retorno, meus pais continuaram a brigar e a situação se agravava cada vez mais, ao ponto de puxarem faca um para o outro.
Certo dia, minha mãe arrumou as malas do meu pai e pediu ao primeiro conhecido que passou na porta de casa para leva- lo com suas coisas para a casa de minha avó ou qualquer outro lugar onde quisesse ir.
 Assim nossa família que outrora tão bonita foi desfeita. Meu pai, de um homem tão zeloso e carinhoso que era com a família, passou a não se importar mais com as filhas, não se importando em causar dano as próprias filhas para ferir a ex mulher.
Após a separação dos meus pais passamos a enfrentar muitas dificuldades, ficamos sem nada em casa, sem dinheiro até para comer. Meu pai não aceitava a separação e tentava de todas as maneiras prejudicar minha mãe, inclusive tentando adquirir a guarda das filhas pela via judicial. Entre as alegações encontrava - se o fato de minha mãe viajar bastante, cantando em festas como forma de divulgar seu trabalho e ganhar dinheiro.
 A tentativa de conseguir a guarda restou infrutífera, uma vez que o juiz reconheceu que a atividade exercida por minha mãe era honesta, não existindo qualquer  obstáculo para permanência das filhas em sua companhia. Ademais, o juiz da causa pesou o interesse das filhas em permanecerem com a mãe, além de a disputa ser referente a guarda de meninas.
 Nessa época, tudo o que restou foi a casa que tínhamos para morar. Nossa vida se transformou em um inferno. Meu pai perseguia muito a minha mãe, os parentes que possuíamos na cidade eram paternos, mas nenhum deles se importou conosco. Não tivemos o apoio de ninguém, somente descaso e humilhação, afrontas e exclusão. Se minha mãe se encontrava sem condições e meu pai nada queria fazer para nos ajudar, não seriam os parentes que fariam alguma coisa, não é mesmo ?!
Contudo, nos mudamos para Minas Gerais, vindo a situação a se agravar ainda mais. Nesse período as perseguições do meu pai passaram a contar também com a contribuição dos familiares de minha mãe.
 Mesmo em meio as lutas e perseguições,  perseveramos firmes em nossos propósitos, estudar para mudar de vida, sempre foi o lema. As vezes nos faltava tudo, menos a  força de vencer dignamente. Estudando e trabalhando na companhia da mamãe, conseguimos, pela misericórdia de Deus, concluir o ensino médio.
Lembro-me que, muitas vezes, o único alimento que tínhamos era o lanche fornecido pela escola que estudávamos. As vezes faltava folhas, para escrever utilizávamos pequenos pedaços de lápis e para apagar, muitas vezes utilizávamos os dedos e a saliva. Naquela época, o material escolar precisava ser comprado, não existia repasse feito pelo governo. Houve período em que  os livros didáticos que eram de compra e entrega obrigatória do governo estadual não foram entregues aos alunos, sendo necessário a compra de apostilas para acompanhamento em sala de aula.
Certa feita, ao nos mudarmos para a cidade de Ituiutaba, moramos por algum tempo, na verdade, pouco tempo na casa de meu avô, até que  um certo dia, ao chegarmos da escola, recebemos a notícia dada por minha mãe que não poderíamos permanecer naquela casa, pois meu avô havia dito que sua mulher saíra e não voltaria para casa enquanto estivéssemos no imóvel.
Na verdade, sempre foi assim. Depois que meus avós maternos se separaram, ambos abandonaram os filhos, sendo minha mãe expulsa com frequência da casa do pai em razão da sua madrasta; tornando-se  criança de rua e em consequência, prostituta, para ter onde morar; até que foi morar com meu pai e após estar separada e madura, lutou com todas as forças para nos manter longe do mundo "podre" que contra sua vontade conheceu.
Minha mãe, com duas filhas menores, sem ter para onde ir e sem ninguém para nos amparar; desesperada procurou o Presidente do bairro para saber se poderia fazer algo em nosso favor.
 Na oportunidade, soubemos que havia uma escola desativada no bairro. Aquele senhor tentou resistir de todas as maneiras a idéia de nos ceder uma das salas para habitarmos, mas sem outra alternativa no momento, vendo o desespero de uma mãe aflita que não tinha para onde ir, com muita tristeza acabou cedendo o espaço para nós.
No mesmo instante, levamos nossos poucos pertences para o local. De imediato lavamos aquela sala, que se encontrava repleta de sujeira, muita poeira e incontáveis teias de aranhas. Não tínhamos o que comer, pois o pouco dinheiro que acabamos de receber a título de alimentos do meu pai, minha mãe utilizou para fazer uma pequena compra que ficou na casa de meu avô.
A partir daquele momento as coisas foram acontecendo. Minha mãe conseguiu trabalho como vendedora de jogos. Tratava-se de um jogo regional do Triângulo Mineiro, conhecido na época como azulzinha, cujo jogo, minha irmã e eu ajudávamos a vender pelas ruas da cidade; levávamos também a Lessy, nossa cadelinha perdigueiro com americano, vestida com o uniforme azul da empresa para nos ajudar nas vendas. As pessoas se encantavam e além de comprarem bastante, chegavam a pedir para tirar foto com a Lessy. Assim, fomos levando a vida, sem perder o foco nos estudos.
Não foi nada fácil. Apenas Deus e quem viveu situação semelhante sabe compreender as dificuldades de sobreviver sem família, sem apoio e o pior, encontrar pelo caminho pessoas perversas que só pensam em destruir o que não ajudou a edificar.
Muitas vezes ajudávamos minha mãe a capinar quintal para obtermos algum dinheiro e, por tratar-se de mulher, sempre pagavam valor a menor. Outra injustiça, foi conseguir um terreno para plantarmos e após os frutos alcançarem o ponto de colheita, um senhor "policial", que residia ao lado, além de furtar os frutos, pois os colheu sem autorização, ainda destruiu toda a plantação.
Para se ter uma vida honesta, prezando a integridade e o estudo das filhas, minha mãe precisou ser  guerreira, tornando-se pai e mãe, além de ser uma mulher briguenta, já que precisava nos defender e proteger contra os maus intencionados que adoram destruir vidas, principalmente quando se trata de mulher desamparada e crianças frágeis.
Muitas vezes tivemos nossa casa invadida, móveis furtados e destruídos, entre tantas outras situações ocasionadas polos próprios locadores de imóveis e vizinhos que gostam de observar a vulnerabilidade alheia para se aproveitar da situação.
Às vezes ignorava as atitudes de minha mãe, uma pessoa "fera", tão"selvagem". Mas se ela não fosse assim, talvez nem vivas estaríamos hoje.
Muitas vezes era necessário mamãe  ficar brava para irmos a escola, pois eram tantas dificuldades que tornava-se inevitável bater o desânimo e a vontade parar pelo caminho. Sem contar as inúmeras vezes que minha mãe precisava se transformar em "dona onça", "quebrar o pau" com gente sem escrúpulos para conseguirmos ir a escola em época de prova, já que os vizinhos encrenqueiros davam um jeito de trancar o portão para não conseguirmos sair de casa.
Durante nossa jornada em Ituiutaba, prosseguimos sempre avante, desejando uma mudança de vida de maneira honrada, com foco nos estudos.
Minha mãe, finalmente, conseguiu emprego de limpadora em uma empresa de ônibus. Minha irmã e eu já nos encontrávamos bem adiantadas em nossos estudos. Minha irmã já se encontrava prestes a concluir o ensino médio, quando fomos passar o período de férias na casa de meu pai. Na ocasião, minha mãe que sempre gostou de cantar música sertaneja, já havia ganhado o primeiro lugar no festival em Inocência, recebeu inúmeros apoios para dar continuidade ao sonho de tornar-se cantora de sucesso, também já havia se apresentado em programas de rádios e televisão e até mesmo em Paulínia / SP, com a equipe do Ratinho, na festa do caminhoneiro, resolveu vender a casa que possuíamos em Inocência para gravar seu CD.
Após vender o imóvel, firmou contrato com a suposta gravadora por um período de três anos, pediu demissão do emprego e, finalmente realizou a gravação do tão almejado CD. Só não imaginava o futuro que a esperava.
Passado o tempo, com o prazo vencido, chegaram os Cd's tão aguardados. Porém, embora tivesse uma capa bonita, o material foi entregue em péssima qualidade quanto ao trabalho fonográfico. A voz não foi separada do som, ou seja, não houve o que chamam de "masterização".
Minha mãe que estava com diversos shows agendados, já tendo divulgado em inúmeras rádios, começou a receber cartas de cancelamento explicando que não havia possibilidade de apresentar ao público um material de péssima qualidade. O pior é que nenhum estúdio ou gravadora possuía condições para concertar o material.
A chance que tínhamos para alcançar a tão esperada mudança caiu por terra, vindo a situação ficar ainda pior. Ao ver os sonhos perdidos, minha mãe entrou em depressão, ajuizou ação judicial na cidade de Ituiutaba e foi embora para São Paulo, nos deixando em Inocência com meu pai para novamente passar as férias.
Em São Paulo, descobriu que estava com nódulos no pulmão direito entre outras enfermidades.
Como encontrava-se muito debilitada pelo duro golpe sofrido, ao término das férias escolares minha mãe não conseguiu retornar para casa. Assim, acabamos ficando na companhia de meu pai, vindo a terminar o ano letivo em Inocência.
Como Inocência é uma cidade muito pequena, a notícia logo se alastrou e todos pensavam que minha mãe iria falecer.
Como já havia acontecido quando  cursei a quinta série na mesma escola, novamente me reprovaram .
Quando criança, minha mãe viajou, deixando minha irmã e eu na casa de um  casal de "padrinhos", onde passei muito mal. Ao ser informado,  meu pai me levou ao médico que diagnosticou o caso como pneumonia. Minha mãe retornou e também começou a passar mal, o mesmo aconteceu com minha irmã. Nós três começamos a obrar e vomitar sangue. Fomos ao médico, que muito preocupado nos encaminhou para fazer exame.
De fato, fomos envenenadas, mas não obtivemos informações sobre o tipo de veneno ministrado, vez que para isso, seria necessário realizar exames na Capital.
Em todos os alimentos que possuíamos em casa havia mistura de um pó químico da cor branca. Fomos orientadas a enterrar tudo, para evitar a ingestão até pelos animais.
Então, partimos para Minas Gerais, para fazermos o tratamento junto a família materna.
Enquanto cuidávamos da saúde, meu pai conseguiu levar o promotor de justiça na escola para mostrar que minha mãe era irresponsável. Soubemos do ocorrido mais tarde, ao retornar da viagem.
Ao retornarmos para Inocência, minha mãe foi logo levar os atestados médicos a direção da escola em que estudávamos. No caminho, ao passar no portão da casa da diretora da escola, foi abordada por esta, que lhe informou o ocorrido, a orientando tirar cópias dos atestados médicos, dos exames e receitas e levar com urgência ao conhecimento do juiz, caso quisesse permanecer com a guarda das filhas.
Naquele mesmo ano, fui reprovada na disciplina de matemática, porém a professora que lecionou a matéria na minha turma era vizinha do meu pai e uma de suas testemunhas no processo de guarda. Passei todo o período de férias estudando o conteúdo fornecido pela escola para realizar o exame. Por incrível que pareça, segundo a coordenação da escola a nota foi zero e não quiseram de maneira nenhuma apresentar a prova para conferência.
Nesse ínterim, uma das minhas professoras que também lecionava na sala da minha irmã, procurou minha mãe para contar que meu pai havia lhe feito propostas sujas e estava tentando força - lá a nos prejudicar e, como sempre observava o tratamento carinhoso entre mãe e filhas, seria inadmissível tal proposta.
Inconformada e sem muito conhecimento, mas sabendo que sempre fomos boas alunas, conseguíamos boas notas e até elogios nas reuniões com os pais, mamãe resolveu nos levar novamente para Ituiutaba e após buscar informações, conseguiu chegar a Secretária de Ensino. Ao explicar o caso, o órgão fez contato  na escola sul-mato-grossense, a qual não repassava as devidas informações, sendo minha mãe orientada a procurar o judiciário.
No momento, para mamãe só importava regularizar minha vida escolar. Entretanto, a Secretária decidiu que eu deveria fazer uma prova de classificação para avaliar meus conhecimentos.
Ao retornarmos para casa de meu avô passamos na casa de uma família em que o senhor era músico e sua esposa, professora. De pronto se interessaram em me ajudar.
Contudo, ao conversarmos sobre o conteúdo estudado anteriormente, a professora notou que eu estava muito adiantada, o conhecimento que tinha era de série superior a minha e disse a minha mãe que, provavelmente a antiga escola me colocou para estudar conteúdo diverso para fazer o exame.
Passado alguns dias, realizei o exame de classificação e fui aprovadíssima. Assim, consegui ingressar na série correta e estudar tranquilamente até o primeiro ano do ensino médio, quando infelizmente o episódio tornou a repetir-se.

No final do ano letivo, ao serem divulgadas as notas, fiquei indignada com a quantidade de reprovação obtida. O inconformismo se dava diante das boas notas alcançadas em todas as avaliações.
Naquele período em que morei com meu pai, vivia oprimida, além de sentir muita falta de minha mãe, era sempre chamada de burra entre outras qualificações degradantes dadas por meu pai. Pelo estado que se encontrava em São Paulo, sabia que era impossível minha mãe retornar para casa. Foi quando fiz um voto com o Deus da Bíblia...
O referido voto surtiu um efeito extraordinário. Ao me certificar das reprovas, imediatamente escrevi uma carta para minha mãe. Mamãe que se encontrava em péssimo estado de saúde, criou dentro de si uma força que não deixa dúvida ter vindo de Deus. Foi parar em Inocência.
Todos os que viam minha mãe na rua não acreditava que estivesse viva. Todos pensavam que era um "fantasma", principalmente por ter chegado com excesso de peso, tendo em vista  sempre ter sido magra.
Minha mãe decidiu me levar novamente para Minas Gerais, mas antes fiz os exames das disciplinas reprovadas.
Curioso que, no dia dos exames, realizei a primeira prova e fui para outra sala, onde faria outra prova. Foi quando o professor, pasmo, perguntou o motivo de eu entrar em sua sala. Respondi que iria fazer o exame. De imediato dispensou-me, dizendo que de maneira alguma iria me aplicar a prova, pois em sua disciplina estava aprovada, me pedindo para ir embora já me desejando um feliz natal e próspero ano novo.
Contudo, fui reprovada em todos os exames que realizei. A escola novamente se negou a apresentar as provas. A situação tornou a se repetir.
Nesse contexto, minha mãe e eu voltamos a morar em Minas Gerais, deixando minha irmã na companhia de meu pai, já que não se dispôs a nos acompanhar, vez que havia sido aprovada no vestibular e estava prestes a iniciar sua vida acadêmica na faculdade.
Logo que chegamos a Ituiutaba, procuramos uma das escolas em que havia estudado. Ao explicar o caso, a instituição de ensino rapidamente entrou em contato com a escola de Inocência para buscar informações. Porém a  escola contatada se negava a dar as informações corretas; repassando a cada contato disciplinas diferentes como reprovadas.
Contudo, a instituição de ensino mineira decidiu ligar pela  vez na escola sul-mato-grossense e, conforme as disciplinas mencionadas como reprova, seriam as aplicadas a mim em "prova de classificação". Assim passei a me aplicar aos estudos e poucos dias após realizei todas as provas com sucesso.
Logo, minha mãe já estava empregada novamente na empresa de ônibus e eu bem adiantada nos estudos.
Antes de minha mãe voltar a trabalhar no antigo emprego, passamos um curto período morando de favor na casa de uma amiga. Logo, procurando imóvel para alugar próximo a empresa de transporte coletivo, encontramos uma casa que há muito tempo encontrava-se fechada. Foi quando procuramos a pessoa que cuidava do imóvel que, por sua vez, ligou para o proprietário que ao invés de alugar, preferiu nos ceder o local para fixarmos moradia. Residimos no imóvel durante um ano e oito meses.
No último ano do ensino médio, desejei fazer um cursinho pré vestibular. Não tinha condições e resolvi pedir ajuda ao meu pai, que nada quis fazer.
Entretanto, minha mãe foi ao colégio Nacional, onde estavam oferecendo o curso, para ver o que conseguiria fazer para me ajudar. Na oportunidade, o diretor do colégio nos informou sobre um concurso de bolsas, onde doariam de dez a quinze por cento das mensalidades.
No dia marcado, fiz a prova aplicada pelo Nacional. Ao retornar para saber o resultado, o diretor nos chamou em sua sala para comunicar que eu havia me saído muito bem na avaliação e, que faria algo a mais por mim. Disse que conseguiria um desconto de vinte e cinco por cento para eu estudar na instituição.
Para mim, foi tudo muito perfeito, era exatamente o que eu precisava. O único problema seria o meio de transporte. Liguei novamente para meu pai, pedindo ajuda para pagar somente a van de ida e volta. A resposta foi negativa. Entre várias palavras de agressão psicológica, inclusive me comparando a minha mãe, nos desqualificando totalmente, mandou eu pedir para ela pagar, já que eu havia escolhido morar com ela e muitas coisas mais.
Mesmo assim, feliz por conseguir o desconto, comecei a assistir as aulas, indo e voltando a pé. Caminhava aproximadamente quarenta minutos para ir e quarenta minutos para voltar.
Ao prestar o vestibular, já aprovada no último ano do ensino médio, fui aprovada no curso de Direito e história como segunda opção. As mensalidades dos cursos eram extremamente caras. Não tínhamos condição para pagar a matrícula. Mais uma vez, liguei para meu pai, pedindo ajuda para fazer a matrícula, restando infrutífera como sempre, além de ouvir os mesmos argumentos de sempre que não cabe detalhar aqui, mas sempre falando mal de minha mãe, me comparando a ela, mandando a gente "se virar".
Como o foco sempre foi o estudo para mudar de vida, agora aprovada no vestibular, mas sem dinheiro para pagar a matricula; mesmo com ferida na perna, quase sem conseguir caminhar, minha mãe saiu pelas ruas de Ituiutaba, de comércio em comércio, na prefeitura, explicando e pedindo doações para efetuar minha matrícula no curso de história que era mais "barato". Até os colegas de trabalho contribuíram.
Antes do início das aulas, soube por uma de minhas irmãs, que as Faculdades Integradas de Santa Fé do Sul - FUNEC, Estado de São Paulo, estava realizando vestibular agendado e que o curso de Direito possuía mensalidades com valores menores.
Naquele mesmo momento, liguei na FUNEC para agendar a prova, alguns dias depois realizei a prova e logo soube da aprovação. Imediatamente, fomos a Universidade de Ituiutaba solicitar o  reembolso do valor pago na matrícula. Diziam que a universidade não devolveria os valores pagos, mas conseguimos a devolução de noventa por cento da quantia. Para completar o valor da matrícula no curso de Direito em Santa Fé do Sul, vendemos um guarda roupa e partimos para o interior de São Paulo.
Ao efetuarmos minha matrícula na FUNEC, saímos em busca de um jornal para procurarmos primeiramente um emprego e depois um lugar para morar.
Passando pela praça central da cidade, encontramos uma senhora, dona Bela, que se encontrava sentada descansando. Perguntamos a ela, onde poderíamos comprar um jornal naquela região. Dona Bela, nos indagou procurando saber um pouco sobre nossas vidas. Explicamos o que estava acontecendo e, imediatamente aquela senhora disse que tinha um quarto disponível em sua residência.
Desconcertada, minha mãe agradeceu e lhe disse que antes, precisava de emprego. Mesmo assim a dona Bela insistiu em passar seu endereço.
Compramos o jornal e fomos em busca do objetivo. Como era fim de tarde, não conseguimos resultado.
Caminhando rumo a faculdade, nos deparamos com uma enorme placa na esquina da avenida onde se localiza a FUNEC, identificando o mesmo endereço que a dona Bela havia nos passado. Ao olhar para baixo, visualizei o número da casa, era o mesmo que estava anotado no papel. Com muita sede e alegres, fomos a casa daquela senhora.
Ao chama- lá no portão, dona Bela correu para nos receber. Já foi logo nos passando para dentro de sua casa, dizendo que já estava preocupada conosco, pensando que não iriamos a sua casa. Imediatamente, chamou seu esposo, o senhor José, para nos apresentar. A dona Bela já estava com a comida posta na mesa nos aguardando.
Tão logo, nos levou ao quarto dos fundos para dizer que ficaríamos nele. Ao perguntar quanto cobrariam pelo espaço, o senhor José se apressou a responder que não queriam receber, somente nos ajudar. Ficamos muito constrangidas e mamãe disse que assim que conseguisse emprego começaria a pagar pelo quarto.
Dona Bela nos levou ao banheiro para tomar banho e, assim que saímos, nos pediu para guardarmos nossos poucos pertences em outro quarto, agora, dentro de sua casa.
Foi uma enorme alegria ser tão bem recebida por aquela família maravilhosa que Deus colocou em nosso caminho. No dia seguinte, conhecemos a filha e o genro da dona Bela, sendo bem recebidas também por eles. Extraordinário foi o agir de Deus, além de toda essa benevolência, estávamos morando praticamente dentro da faculdade, eu só tinha o trabalho de atravessar  a rua e caminhar aproximadamente cinco minutos do estacionamento até a sala de aula.
A filha do casal se prontificou a ligar   nos telefones disponíveis oferecendo vagas de emprego. Entre todos, encontramos somente uma vaga que ainda não estava preenchida. Foi essa que minha mãe passou a ocupar.
O emprego era na residência de um casal de feirantes. Passado alguns dias, mamãe estava feliz com o trabalho, mas a mulher decidiu separar do marido e minha mãe perdeu o emprego. Foi então que tivemos a idéia de vender pamonhas. A idéia começou a dar certo, então decidimos preservar a amizade e o carinho da dona Bela e de sua família, alugando um kitnet do outro lado da avenida.
Residimos na casa da dona Bela aproximadamente vinte dias. Quando dissemos que pretendíamos mudar, o casal se entristeceu, não queriam que saíssemos de sua casa, também não  queriam receber pelo quarto. E nós, não poderíamos priva- los da liberdade na própria casa, mesmo que para eles não fôssemos incômodo, afinal, o curso do direito possui duração de cinco anos.
Pois bem, mesmo inconformados nos ajudaram em tudo que precisávamos para ter o nosso próprio lar. O senhor José intermediou na locação do imóvel, a dona Bela nos forneceu algumas panelas, pratos, colchão, entre outros utensílios domésticos e lá fomos nós.
As vendas de pamonhas foram aumentando cada vez mais e pudemos andar com "as próprias pernas", até que o milho que era de irrigação começou a falar. Comecei a trabalhar em uma lanchonete pertinho de casa, prestei serviços no local durante dois meses, no primeiro mês recebi direitinho, no segundo mês não.
Já não tinha como sustentar a faculdade. Meu pai não quis em hipótese alguma me ajudar. Conforme fiquei sabendo por diversas pessoas, dizia em Inocência que eu não teria condições de concluir a faculdade; que não passaria do segundo ou terceiro ano.
Me recordo que, em época de rematrícula, para ingressar no segundo ano, não tinha completado o valor para negociar com a faculdade, Liguei para meu pai e pedi para completar o valor. Mais uma vez os argumentos se repetiram e nada de ajuda. Triste, após dormir em pranto, acordei com uma mensagem do meu pai no meu celular dizendo: "estou aqui à-toa, sem fazer nada, por isso resolvi escrever essa mensagem hahahahahaha", tudo escrito, letra por letra na vertical.
Em oração, de joelhos dobrados na presença de Deus, misteriosamente, Deus foi provendo os meios e, no ano letivo seguinte, lá estava eu, mais uma vez em sala de aula.
Conversando com um dos meus professores, fui orientada a acionar meu pai na justiça para receber pensão alimentícia e ter condições de concluir os estudos.
 Seguindo o conselho, ajuizei a ação judicial, mas antes liguei para meu pai, perguntando se iria me ajudar na faculdade. Depois dele dizer horrores e falar que não faria nada por mim, não restou outra alternativa a não ser reclamar meus direitos de filha pela via judicial.
Travei uma árdua batalha. Minha irmã, influenciada pelo pai, passou a nos ligar para brigar, além de nos fazer diversas ameaças. Para não assumir a responsabilidade, meu pai se mudou para outra cidade sem deixar endereço; tudo o que sabia era o nome da cidade para onde havia se mudado. Após um longo período de busca, fui a cidade  para onde se mudou, pedi um telefone fixo emprestado em um comércio e liguei para minha irmã, dizendo que estava na cidade e do endereço para ir vê-los.
Sabia que ver meu pai seria um risco, afinal, tramitava no judiciário a referida ação de alimentos. Então, ao conseguir o endereço, peguei o caminho de volta para casa.
Passado pouco tempo depois, após expedição do mandado de prisão, minha irmã ligou dizendo que meu pai estava em minha cidade e precisava falar urgentemente comigo. Nos encontramos no fórum  , onde tramitava o processo e fomos para o escritório de advocacia. No momento pedi a um colega de faculdade, que tem uma empresa próximo a casa onde morávamos para avisar a minha mãe o ocorrido e dizer para ela comparecer ao escritório. O rapaz não só avisou, como levou minha mãe ao local.
Durante, o doutor disse ao meu pai que teve muito sorte, pois fora ao fórum e poderia ter sido preso, vez que existia mandado de prisão em aberto. Depois de muito drama, abri mão de receber cinco mil reais, recebendo mil e quinhentos reais da dívida atrasada, passando a receber mensalmente trinta por cento do salário mínimo a título de alimentos daquele momento em diante.
 Deus encaminhou nossos passos de um jeito extraordinário, não tínhamos mais pamonhas para oferecer aos clientes, porém aprendemos a manipular produtos de limpeza, o que foi um ótimo negócio. Começamos vendendo desinfetantes, que pelo aroma agradável, abril portas para as outras espécies de produtos de limpeza. Vendíamos também trufas e salgados congelados.
Iniciamos as vendas com muita dificuldade, utilizando bicicletas, levando os produtos de porta em porta. Logo, após conquistar minha carteira nacional de habitação, conseguimos comprar um carro para facilitar as entregas.
Mesmo carro que utilizamos para nos mudar com nossas duas cadelinhas de estimação para Campo Grande, capital do Estado de Mato Grosso e Sul.
Após concluir o segundo ano da faculdade, por um ato de loucura recolhemos nossos principais objetos e os animais, colocamos tudo no carro e partimos para Mato Grosso do Sul.
Ao chegarmos a capital Sul-mato-grossense, após enfrentarmos fortes chuvas nas estradas, sem conhecer nada na cidade e com o tempo ainda chuvoso, fomos parar na porta da CIGCOE. Ao sermos identificadas, os policiais nos guiaram acompanhando até as proximidades da universidade federal para que pudéssemos procurar casa para alugar, inclusive nos orientando a não nos dirigir a determinadas regiões a fim de evitar assalto.
Consegui realizar minha matrícula para dar início ao terceiro ano da faculdade, agora denominado semestre, ao contrário da FUNEC, ou seja, realizei matrícula para cursar o quinto semestre.
Moramos pouco tempo na região da universidade federal. Durante esse período continuamos a trabalhar com as vendas.
Como morávamos muito longe da faculdade em que estudava, considerando o perigo de voltar para casa tarde da noite, resolvemos mudar para um imóvel próximo a instituição de ensino.
Continuamos investindo nas vendas, porém já não vendíamos como antes, os "fiados" já não recebíamos, além de sermos "perseguidas" por pessoas inescrupulosas, que sempre querem tirar proveito em cima de pessoas menos favorecidas.
Ao nos observar, não é difícil perceber que em casa mora apenas uma mãe e uma filha, com dois animais de estimação, onde não há presença masculina, tampouco visita de familiares. Com isso, pessoas de má fé logo querem tirar vantagem.
Passamos por incontáveis dificuldades na capital. Houve um período, com poucos meses morando em Campo Grande, que minha mãe teve recaída em seu estado depressivo, sem explicação, começaram a aparecer diversas feridas por seu corpo todo, além de estar com a mente afetada, a ponto de ter esquecimento, não sabendo onde estava e para onde precisava ir. Ademais, ainda em Santa Fé do Sul, o psiquiatra que cuidava do caso, disse-me que o quadro de minha mãe era irreversível.
 Eu, também não andava nada bem. Sentia fortes dores de cabeça, dores por todo o corpo, sentia muita fraqueza nas pernas, como se estivessem travadas; sofria frequentes quedas de pressão, o que provocava um mal estar terrível, escurecendo as vistas e ocasionando cansaço. Aliás, ainda em Santa Fé do Sul, fui diagnosticada com anemia, cuja doença, após realizar o tratamento médico, sem nenhuma explicação se agravou ainda mais. Conforme o médico, existia ferro no sangue, porém não circulava no organismo. Cheguei a fazer um outro tipo mais aprofundado de exame, mas conforme o resultado não tinha nada de anormal.
Foi uma época muito difícil e como não tinha condição para continuar estudando, tive que deixar a faculdade.
Cabe registrar que, foi exatamente nessas condições que chegamos a igreja Universal do Reino de Deus. Lugar onde recebemos a cura de todas as enfermidades e até os dias de hoje, temos sido ricamente abençoadas para a glória de Deus. Não foi nada simples, alcançar o milagre da cura exigiu muita fé e perseverança.
Há quem não acredita, mas posso falar com propriedade, uma vez que passei pela circunstância. Vi acontecer em minha casa. Após um tempo frequentando a igreja, minha mãe que manifestava com legiões de demônios, já não manifestava mais; as doenças foram desaparecendo, minha mãe que por diversas vezes tentou suicídio, tomava fortes antidepressivos, graças a Deus, foi curada da depressão, voltou a ser uma pessoa comunicativa e totalmente de bem com a vida. As quedas de pressão que tinha com frequência, não ocorrem mais, as dores de cabeça e do corpo, desapareceram, a anemia, simplesmente sumiu.
Mesmo assim as lutas continuaram. Morando sempre em casa alugada, não tínhamos condições para alugar imóvel por intermédio de imobiliária, não possuíamos o suficiente para dar como calção, tampouco tínhamos fiador. Assim, só conseguíamos locar diretamente com o proprietário. Entretanto, as casas sempre foram em vilas, com a residência do locador situada na frente, o que sempre ocasionou muitos transtornos, pois nesses lugares, moram pessoas de diversos tipos de personalidades.
Certa feita, em um desses locais, a proprietária do imóvel colocou um de seus inquilinos, um sujeito bem enrolado com a justiça, para agredir minha mãe. Tudo porque estávamos servindo almoço em casa e o negócio começou a alavancar. Então, a proprietária fez a mamãe uma proposta totalmente inadmissível; queria que passássemos a fazer e servir os alimentos em sua casa e em troca não precisaríamos mais pagar o aluguel. Obvio que minha mãe recusou e aí a referida mulher ocasionou a situação. Ademais, começou a atrapalhar nosso negócio. As pessoas chegavam para almoçar e proprietária dizia que havíamos nos mudado e que o alimento estava sendo servido em sua residência.
Diante da opressão que se agravava, fomos em busca de novo imóvel para alugar. Na época era mais complicado para encontrar casa para alugar, considerando que o Brasil ainda não se encontrava em crise.
Cansadas daquela opressão, sem conseguir outro local, nos veio a oportunidade de adquirir o direito de posse em uma ocupação. Tratava-se de uma área de quase quatro hectares, com dois prédios que há muitos anos se encontravam com obra inacabada, de propriedade de uma empresa que entrou em concordata, cujo empresário havia falecido há alguns anos.
Passado alguns dias, adquirimos o chamado"direito de chave" e nos mudamos para a ocupação. Residimos naquele lugar aproximadamente três anos.
Foi um lugar onde enfrentamos muitos obstáculos. Fomos praticamente as primeiras pessoas a adquirir vaga na ocupação. Logo, o local passou a ser ocupado por outras pessoas, porém muitos eram indivíduos de má fé, que não buscavam garantir um local para morar e sim um ponto para fixar escritório de criminalidade.
Com isso, conseguimos fundar, com o apoio dos moradores do bairro e da região, uma Organização não Governamental - ONG, Para amparar famílias que realmente necessitavam de ajuda. Travamos uma árdua batalha tentando por todas as vias legais conquistar a desapropriação e regularização da área.
Contudo, após incontáveis tentativas para alcançar o alvo, com inúmeros ofícios encaminhados a prefeitura municipal, Ministério Público Estadual, Conselho Nacional do Ministério Público entre outros, restou-se infrutífero todo o esforço aplicado, vez que após inúmeras tentativas do Ministério Público Estadual de conseguir a regularização, não houve interesse pelo município, que nada fez.
Com as respostas negativas quanto a legalização da área, considerando o fato de a estrutura do prédio em que morávamos estar condenanda pelo mau usado por parte de alguns ocupantes, eu que pela misericórdia de Deus havia acabado de ser aprovada em um processo seletivo para estagiar na Defensoria Pública da União, onde estagiei um ano e meio, e minha mãe que conseguiu emprego como zeladora de uma igreja, e levando em consideração também o fato de haver uma ação judicial de reintegração de posse, que se deu após um dos jornais eletrônicos noticiar a operação policial que prendeu o marido da mulher que vendia as vagas de apartamentos por estar foragido, outro ocupante que também estava foragido do presídio após matar e esquartejar uma mulher entre outros fatos, resolvemos mudar para outro local. Agora tínhamos condição de habitar em outro local.
Assim, residimos por dois anos em uma única casa. Passado os dois anos, próximo da conclusão dos meus estudos na faculdade, decidimos nos mudar para um imóvel próximo ao centro da cidade.
A casa que locamos com contrato de um ano, individualizada, tinha tudo para ser um verdadeiro lar. Contudo, com poucos dias residindo no local, a proprietária passou a nos turbar, além de dizer que era para desocuparmos o imóvel. Com menos de trinta dias residindo no local, a proprietária foi no portão de casa, dizendo que era para nos mudar até sábado, que a casa era dela, que iria tirar o telhado, que deveria nos executar conforme mandaram.
Após dizer que mesmo tendo contrato, estávamos procurado outro imóvel, ela foi embora. Após, fomos ao Juizado Especial pedir o cumprimento do contrato.
Ao chegarmos perto de casa, o guarda do bairro nos abordou na esquina, contando o ocorrido.
Pois bem, aquela senhora havia entrado dentro de casa e retirado todos os nossos pertences os colocando na varanda. Além do mais, retirou as duas principais portas da residência, além de proibir a entrada de energia elétrica  no imóvel, impedindo ainda a passagem de água. Ademais, deixou  os animais de estimação pendurados na grade do portão.
Naquele momento, ligamos para a polícia militar, que nos prestou um ótimo atendimento, além dos vizinhos que nos prestaram todo apoio necessário. Registramos a ocorrência na delegacia de polícia e repassam os as informações devidas, juntando os devidos documentos no processo judicial......

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